Retorne ao SPIN

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Laile Ribeiro: Pelo que Aécio causou à educação de Minas 15% é muito


Laile e filha




Resquícios do governo Aécio Neves em Minas Gerais

por Laile Ribeiro de Abreu

Nós, mineiros, conhecemos bem as estratégias governamentais do Sr. Aécio Neves, discípulo de políticos de tradição das Minas e que, por isso, entende bem como articular o discurso e maquiar a realidade. Contudo, nós, que convivemos de perto com o “choque de gestão” do qual fala “mundos e fundos”, sabemos que a realidade é outra, principalmente no tocante à Educação. Faltou, na gestão dele e nessa que o sucedeu, investimentos na infraestrutura escolar, abertura de vagas e, o principal, valorização dos professores.
A retórica dos aliados do Sr. Aécio Neves é ludibriadora: administrador inigualável, exímia capacidade para cortar gastos e montar equipe técnica de ponta.
A realidade, entretanto, é outra. De acordo com dados do SINDUTE/MG, publicados em 10 de agosto de 2014, no jornal O Tempo, BH, no governo desse Senhor e no do Sr. Anastasia, não houve os investimentos mínimos que a Constituição Federal determina que sejam destinados à Educação. Isso significa uma perda expressiva e responde à inquietante questão de por que mais de 600 escolas em Minas não possuírem rede de esgoto, mais de 1900 não terem um refeitório e nem uma quadra coberta e cerca de 2580 não possuírem laboratório de ciências.
Além desses desfalques, estão utilizando algumas informações de feitos do Sr. Aécio Neves, durante o governo mineiro, como “carro chefe” da campanha que me lembram da música do Zeca pagodinho: “Você sabe o que é caviar? Eu não sei, nunca vi, eu só ouço falar [...]”.

Trata-se da poupança jovem cujo alcance nunca ultrapassou mais que nove municípios mineiros, ou seja, é um projeto sem a menor expressividade. Se esse modelo de gestão não consegue nem mesmo vagas para toda a demanda jovem que precisa estar no Ensino Médio, imaginem criar um programa de governo que contemple o discente com uma poupança. Quem acreditar nisso deve acreditar, também, em papai Noel, coelhinho da páscoa ou coisas do gênero.
Para o docente não houve outro que o superasse na desfaçatez.
Efetivou através da Lei C 100 mais de 98 mil servidores sem estabelecer nenhum critério.
Na minha cidade, Papagaios, houve um caso inusitado que, acredito, não tenha se restringido às cercanias desse sertão: uma servidora cuja escolaridade não contempla(va) o magistério, tampouco a graduação, substituiu outra servidora nomeada em férias prêmio na área de Língua Inglesa sem a menor especialização para tal. Efetivou-se e assumiu, no ano seguinte, um cargo completo.
Outra servidora, na mesma área, mas com graduação em Letras (Português, Inglês e suas Literaturas), efetivou-se também. Entretanto, essa não pôde assumir um cargo completo porque a sua efetivação, via Lei C100, dera-se com apenas seis ou oito aulas. A servidora aposentou-se nesse cargo nessa situação, sendo que aquela continua/continuou com o cargo completo.
Ou seja: não houve planejamento nenhum para tais interferências, não foi algo pensado milimetricamente, conforme deve ser uma ação dessa envergadura. Foi um governo que nunca pagou o piso salarial aos professores, mas afinaram o discurso, como bons tucanos que são, e criaram o subsídio (para não dizer outra coisa) e aniquilou através de acordos esmagadores o plano de carreira do professor, exigindo dele que espere pelo menos cinco anos para ter uma progressão por escolaridade.
Eu terminei o meu mestrado em 20 de maio de 2011 e até hoje não fui recompensada com nem um centavo pela minha pós-graduação, tendo que me submeter à tirania dessa equipe que só trabalha em prol da massificação da Educação e da desmotivação daqueles(as) que ainda insistem em participar desse modelo escolar valido. Truculentamente, exterminou os direitos adquiridos dos professores sem dó nem piedade.
E a coisa não para por aí. Em 2013 a SEE lançou o “Reinventando o Ensino Médio” sem dar nenhum suporte às escolas, sem capacitar os professores e, o que é pior, sem pensar que há alunos que precisam do transporte escolar, pois vêm da zona rural.
Resultado? Durante o mês de fevereiro, nas primeiras semanas as escolas e SME receberam da Sra. Ana Lúcia de Almeida Gazolla ofício instruindo que esses alunos não seriam obrigados a fazer o sexto horário de maneira presencial e que deveriam ser liberados no horário anterior para que não tivessem problemas com o transporte e isso porque não foi pensado em verbas adicionais para as secretarias municipais de transporte para arcar com essa demanda. Diante do exposto pergunto: foi bem pensado? Ou foi rearranjado consoante são as ações dessa gestão?
Já partindo para o encerramento dessa comunicação, gostaria de fechá-la, compartilhando um drama pessoal que vivenciei recentemente e que alterou o curso da minha profissão. Sou graduada em Letras (Português e Inglês) por uma instituição privada, sou mestre em Literatura Brasileira pela Fale/UFMG e doutoranda também em Literatura Brasileira pela mesma instituição.
Consegui uma bolsa para fazer o doutorado-sanduíche, na Universidad D. Sevilla, pela CAPES. Meu projeto inicial era ficar por três meses, acompanhando os trabalhos de uma professora espanhola renomada que desenvolve um trabalho de fôlego sobre estudos culturais. A referida professora orientou uma aluna brasileira em sua tese de doutorado sobre a escritora brasileira Rachel de Queiroz cuja escrita é meu objeto de pesquisa de tese.
Ou seja, estar na Espanha, em Sevilla, sendo coorientada por essa professora, tendo a oportunidade de conhecer a pesquisa efetuada pela ex-orientanda da referida professora, as referências sobre Rachel de Queiroz, utilizadas pela pesquisadora em seu trabalho, bem como tomar conhecimento da crítica espanhola e europeia produzida sobre a escrita de autoria feminina são imprescindíveis para o desenvolvimento da minha pesquisa aqui no Brasil.
Encaminhei à minha SRE (Sete Lagoas), dia 01 de junho de 2014, duas solicitações: afastamento para cursar o doutorado, de acordo com a Resolução SEE 2388/2013, de 04/08/2014 a 30/11/2014 e o pedido de autorização para viajar no período de 01/09/2014 a 30/11/2014 para cursar o doutorado-sanduíche.
Recebi, dia 09 de julho, um e-mail do setor de pessoal da SRE, contendo o ofício da SEE, indeferindo o meu pedido de afastamento para cursar o doutorado. O pedido de autorização para viagem sequer foi mencionado no ofício, informando o indeferimento. Protocolei na SRE dia 13/07/2014 um pedido de reconsideração do indeferimento e um pedido de deferimento da autorização.
Não obtive nenhuma informação, embora tivesse passado e-mails para a SRE, solicitando-a. Dia 04/08, enviei mais um e-mail para a SRE, implorando que me auxiliassem na resolução da questão, uma vez que teria que dar uma resposta à universidade espanhola.
Recebi, então, dia 08/08, outro e-mail da SRE, contendo cópia dos ofícios enviados pela SEE, mantendo o indeferimento do pedido de afastamento e anunciando o mesmo veredito ao pedido de autorização para viagem cuja resposta era óbvia para mim, mas, mesmo assim, insisti em obtê-la, pois eu precisava dessa informação para repassá-la para Sevilla e justificar a minha desistência forçada da bolsa.
Alegaram que, de acordo com o Art. 3º da Resolução SEE nº 2388/2013, eu não teria prazo para integralizar o tempo de afastamento, (três meses e vinte e seis dias!), uma vez que completarei idade mínima para aposentar-me em 04/09/2015. Recebi via SRE os ofícios encaminhados pela SEE, assinados pela Sra. Éder Quintão em que dá essa interpretação, no mínimo equivocada, para a resolução, o seu artigo específico, a quantidade de dias (!) em que me afastaria e o tempo que teria para integralizar esse afastamento.
Resumo da ópera: não é uma equipe que trabalhe para manter no eixo a Educação mineira, uma vez que são mal preparados, mal intencionados e mal quistos por toda a sociedade mineira haja vista as pesquisas do Sr. Aécio Neves em sua terra natal. Os números não enganam e, tendo em vista a nocividade que esse candidato imprime à sociedade brasileira, talvez, 15% sejam até muito. Que não passe disso.
Laile Ribeiro de Abreu é mestre em Literatura Brasileira pela Fale/UFMG e Doutoranda em Literatura Brasileira pela mesma instituição; Professora das Redes Estadual e particular; Professora do PRONATEC Papagaios.

Nenhum comentário: