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terça-feira, 16 de setembro de 2014

As lágrimas de Marina não comovem

As lágrimas de Marina não comovem

Por Bepe Damasco, em seu blog:

É impressionante como a candidata Marina Silva consegue impregnar de chatice o ambiente político-eleitoral. A última agora é posar de coitadinha, de vítima dos "ataques infames do PT". Ora, faça-me o favor, quem protagonizou o lance mais baixo da disputa até aqui foi justamente a candidata caroneira do PSB, que, a despeito de ter militado no PT por longos 27 anos, onde se elegeu deputada estadual, senadora e foi ministra por cinco anos, acusou o partido de ter colocado um "diretor para roubar a Petrobras". A ex-senadora está sendo inclusive processada por isso. Seu chororô diante dos questionamentos políticos só reforça um sentimento que vai se alastrando pelo eleitorado: falta a Marina um mínimo de estofo político e de firmeza de convicções para exercer o cargo mais importante da República.

O que esperava Marina? Que a campanha da presidenta Dilma se calasse ante suas críticas cada mais contundentes ao governo e ao PT? Que o PT assistisse passivamente à apresentação dos pontos do programa de governo da candidata do PSB de cunho nitidamente neoliberal , como a autonomia do Banco Central e o apoio às terceirizações?

Como não reagir à pregação de uma candidata que quer "tirar o foco do petróleo" e que recua na primeira chantagem de um midiático pastor evangélico obscurantista? Por acaso não merece se tornar de amplo domínio público que uma candidata tem uma banqueira como coordenadora do seu programa de governo e que essa herdeira do Banco Itaú sustenta a fundação Marina Silva?

Que tipo de ataque pessoal há nisso? Claro que nenhum. Fora do foco oportunista, eleitoreiro e visceralmente antipetista do maior partido de oposição do Brasil, o monopólio que controla a mídia, o que se vê é um embate político legítimo, absolutamente natural numa disputa política acirrada como a atual.

O ponto culminante da escalada de autovitimização de Marina foi seu pseudo-choro ao lembrar das calúnias sofridas por Lula em suas campanhas e a dor causada pelas críticas do ex-presidente. Aqui Marina deu um tirambaço no pé.

Primeiro que querer se comparar ao maior líder popular brasileiro é coisa que só uma maratona de sessões de psicanálise pode ajudar a explicar. Depois, chamar Lula para a briga se revelou um péssimo negócio em questão de algumas horas.

- A dona Marina não deve inventar inverdades a meu respeito para chorar. Chore por outras coisas que ela quiser chorar. Um verdadeiro líder não fica mudando de partido e de ideia toda hora - fulminou Lula, lembrando que na hora que teve que escolher alguém para sucedê-lo optou pela pessoa mais preparada.Vale lembrar que, na raiz do todo ressentimento de Marina em relação ao PT, está sua frustração por não ter sido escolhida candidata à sucessão de Lula.

Se não tivesse se convertido em alternativa eleitoral da elite brasileira, disparada a mais retrógrada do planeta, Marina se envergonharia da capa de Veja desta semana, uma peça de campanha calhorda para tentar colocá-la como alvo de uma insidiosa campanha de mentiras e calúnias organizada pelo PT.

Noves fora o fato de a Veja que está nas bancas marcar a adesão definitiva da revista à Marina, com o consequente abandono de Aécio Neves, no vale-tudo contra o PT, seu efeito sobre as eleições será nulo, ou até reverso como a hipotética bala de prata da delação premiada de semana passada, depois da qual Dilma só cresceu.

De quantos anos e mais quantas eleições e derrotas o PIG ainda precisa para entender sua irrelevância nas eleições presidenciais no Brasil ?

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