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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A “tadinha” da floresta, onde vive a direita selvagem

A elite tupinquim sabe muito bem usar esse tipo de personagem para enganar os incautos, uma vez que a direita declarada não tem votos. A própria escolha de FHC pela elite se deu dentro desta lógica, uma vez que antes da eleição era tido como homem de esquerda, amigo de Lula com o qual já havia planfletado nas portas das fábricas, ateu, a favor da moconha, etc.. Como hoje  o povão está mais conservador, a elite tenta enfiar-lhe goela a baixo uma figura com aparência de pobretona chorosa,...só não sabe o pobre eleitor que nos bastidores ela conhecida pela alcunha de Marina Setúbal:
A “tadinha” da floresta, onde vive a direita selvagem, por Fernando Britto, no Tijolaço
marineca
Marina Silva é uma mulher com inegáveis méritos.
Saiu das profundezas da pobreza para o primeiro plano da vida nacional e não faria isso se não tivesse qualidades, persistência e capacidades.
Ninguém,  não ser a elite  que a bajula agora, jamais  a desqualificou por isso.
A mesma elite que desqualifica Lula – “o molusco”, como o chamam – por ser um operário que chegou a Presidente e a líder nacional.
Não a vejo, e tenho certeza de que todos reagiríamos, ser criticada por ter sido pobre ou empregada doméstica.

Eu, pelo menos, que devo o que sou a um pintor de paredes, seria o primeiro a fazê-lo.
O que se critica, ao contrário, é seu trânsito para os salões desta elite que se acostumou a chamar o povo com um estalar de dedos.
E que a fazem desfilar, como um exotismo bem-comportado, que não contesta o sistema que massacra milhões de antigas marinas, sob seus candelabros.
Ninguém a perseguiu, D. Marina.
O PT, partido pelo qual construiu sua carreira, deu-lhe cargos: o de vereadora, o de deputada estadual, o de senadora e o de Ministra.
Não foi ele quem a expulsou de nenhum deles, foi a senhora que se afastou deles.
Saiu de seu partido, e filiou-se a outro para ser candidata imediatamente, não para ser uma militante. Tanto que saiu do PT poucos dias antes do prazo limite para registrar candidaturas.
Do PV também não foi expulsa,  saiu para ter um partido só seu, depois de não ter conseguido que este fosse assim.
O que a senhora fez hoje, no Ceará, é deprimente.
Dizer que “oferece a outra face”, como Cristo, apenas porque foi criticada politicamente, é de uma hipocrisia sem tamanho.
Dizer que chorou ao ser criticada por Lula, a quem a senhora abandonou depois de seis anos em que ele a manteve como ministra é deprimente.
A senhora se considera legítima para criticar, contestar, acusar, ofender.
Mas não aceita que lhe tratem senão como uma figura angelical.
A “fadinha”.
E, quando lhe criticam idéias e atitude, se transmuda.
É a “tadinha”.
O “coitadismo de marketing” , D. Marina, é uma abjeção, porque é hipócrita, é falso e é perverso, porque se trata de um estelionato contra os bons sentimentos coletivos,  de uma fraude à compaixão de nossos semelhantes.
Podemos e devemos chorar. De dor, de tristeza, por solidariedade.
Jamais por sermos criticados na política.
Porque o povo brasileiro não quer chorar, nem se ajoelhar, nem suplicar.
Essa nação não é “tadinha”, nem precisa de um “tadinho”.
Precisa de líderes, de gente altiva, que levanta a cabeça como o Brasil secularmente genuflexo precisa levantar.
O povo brasileiro, que precisa se por de pé, não precisa de alguém que não sabe sequer defender nem a si mesma.
Precisa de quem possa defendê-lo e não de quem, lubrificado pelas lágrimas de crocodilo,  ajude fazê-lo ser engolido, outra vez, pelas elites.
Que, no fundo, D. Marina, também a desprezam. Mas a usam
Papel ao qual, com inegável prazer, a senhora se entrega.

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